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Entrevista
Rodrigo Galindo – Presidente da Kroton Educacional

por Santa Mônica Centro Educacional no dia 21 de dezembro, 2015

Rodrigo GalindoNo bate-papo a seguir, realizado pelo NA PRÁTICA, Portal de Carreiras da Fundação Estudar, iremos conhecer um pouco sobre o Rodrigo Galindo.

Formado em Direito e com Mestrado em Educação pela PUC, Rodrigo Galindo é, hoje, um dos CEO’s mais respeitados do mundo empresarial e Presidente da Kroton Educacional, a maior empresa de educação do mundo e dona da Rede Pitágoras, que conquistou, pela 3ª vez consecutiva, o Prêmio TOP EDUCAÇÃO 2015, como melhor Sistema de Ensino para escolas de rede privada do Brasil.

O que se viu desde a sua nomeação em 2011, foi um caso de expansão com poucos paralelos na história da educação privada. Sob a liderança de Galindo, a Kroton fez diversas aquisições. O ápice do processo foi a compra da rival Anhanguera que criou um gigante com valor de mercado de 13 bilhões de reais.

Hoje, com apenas 38 anos, Galindo tem em suas  tem em suas mãos, o maior desafio de sua carreira, pois encantado com a trajetória de crescimento da Kroton, o mercado apostou no sucesso da empresa.

As ações valorizaram 70% nos últimos 2 anos, num sinal de que todos contam que ele  vá repetir com a Anhanguera o sucesso que teve na integração das outras sete empresas compradas pela Kroton desde que  assumiu.

Para ter acesso a essa entrevista na íntegra, acesse o site: www.napratica.org.br

Jornalista responsável: Cecília Araújo

  1. Como foi o início da sua trajetória profissional?

RG – Ah, eu comecei a trabalhar cedo, aos 13 anos, e sempre desenvolvendo atividades na área de educação. Meus pais são de São Paulo e se mudaram para Mato Grosso para implantar uma Universidade por lá, então comecei trabalhando na xerox dessa Universidade.

Aos 18 anos, eu assumi o meu primeiro grande cargo, o de gerência, foi um cargo para mim bastante importante, pois era muito novo e já era responsável pela gerência dos vestibulares na Universidade de Cuiabá. E, na época, os vestibulares eram realmente eventos relevantes para o Estado de Mato Grosso. Depois do vestibular da Universidade Federal, é o segundo maior evento do Estado e eu era jovem coordenando essa atividade, então para mim foi um desafio pessoal bastante importante.

Aos 23, eu resolvi empreender e, em paralelo ao trabalho que tinha na Universidade de Cuiabá, resolvi montar uma faculdade no Estado do Amapá. Então, me tornei dono de faculdade, o mantenedor de faculdade mais jovem do país nessa época. Esse foi, também, um desafio bem bacana de empreendedorismo e consegui entender as diferenças entre ser executivo e ser empreendedor.

Aos 30 anos, assumi a presidência do grupo IUNI e aos 34, com a Associação da KROTON, assumi a presidência da KROTON, sendo uma carreira toda desenvolvida dentro da área de educação.

  1. Você chegou a cogitar outra carreira?

RG – Eu comecei a trabalhar muito cedo e foi algo tão natural, acho que a educação está no DNA, na verdade está no DNA da minha família. Minha mãe foi professora e diretora de Escola Pública até se aposentar, meu pai trabalhou a vida inteira em Universidades, ao longo de 45 anos, então eu acho que foi algo muito natural. Nasci numa família de educadores, me tornei muito cedo educador e ser educador faz parte da minha vida, então eu nunca cogitei trabalhar em outra carreira que não fosse educação.

Quando eu comecei meu primeiro trabalho, na verdade não foi especificamente em educação, foi dentro de uma universidade, mas foi uma atividade de empreendedorismo, o meu pai cedeu o espaço para que eu e meu irmão montássemos uma “empresazinha” de fotocópias, e a gente tirava as cópias e éramos os gestores do negócio. Então, foi um trabalho interessante, porque a gente teve que desenvolver habilidades de empreendedorismo e ter a humildade de gerir um trabalho operacional, o que foi fundamental e relevante, até mesmo para formação do  nosso caráter. Eu acho que o trabalho desde cedo tem um papel muito importante na formação de caráter das pessoas. Eu agradeço muito aos meus pais por ter me incentivado a trabalhar, em qualquer área, mas nunca nenhuma pressão, nenhum incentivo a atuar em uma área ou em outra.

  1. O que aprendeu de mais relevante nesse começo?

RG  – Olha, eu acho que dessa fase, foi exatamente começar a desenvolver e aguçar o espírito de empreendedor e principalmente a responsabilidade. Como eu disse, aos 18 anos eu assumi uma área de processo de seleção e além de fazer os vestibulares da Universidade, alguns órgãos públicos contratavam a Universidade de Cuiabá para fazer seus concursos públicos, para garantir transparência e isenção, contratavam uma empresa terceirizada, e nós éramos contratados para fazer concursos públicos grandes para prover cargos no Estado de Mato Grosso e na Cidade de Cuiabá, e era um rapaz de 18/19 anos que coordenava esse processo. Então, foi um processo muito importante de demonstração de credibilidade, demonstrar que credibilidade não estava só relacionada à maturidade, não estava só relacionada a idade e sim relacionada à sua postura em relação aos acontecimentos. Eu acho que esses foram aprendizados muito importantes nessa fase inicial da minha carreira.

  1. Quais os desafios enfrentados ao ocupar um alto cargo?

RG – A idade foi um desafio que eu sempre precisei trabalhar, mas eu resolvi muito cedo. Eu nunca tive muito problema em ter cargos de gerência cedo. Mas certamente a gente precisava se provar o dobro. Um CEO com 30 anos precisa ter o dobro de competência para se provar para o mercado, até porque experiência é um ativo importante, então eu precisava suprir a minha falta de experiência de vida com outros atributos, sendo mais competente em outras habilidades que não a experiência de vida, que essa infelizmente só vem com o tempo. Então, acho que esse é um ponto importante de se conseguir, é suprir falhas da sua formação ou falhas porque o tempo ainda não te entregou aquela experiência de vida com outras competências, sendo ainda melhor naquelas competências que você possui.

  1. Quais passos você seguiu na KROTON até a presidência?

RG – Foi interessante, eu recebi o convite para trabalhar na KROTON quando eu era o CEO do IUNI e durante a negociação da venda da IUNI para KROTON .  Eu achei que fosse entrar na KROTON , ficar alguns meses e sair. O fato é que teve a transação e a gente iniciou um processo de integração e fui indicado para coordenar esse processo de integração e nesse processo de integração, o que aconteceu é que foi muito dinâmico, em 6 meses, as companhias já estavam integradas e na coordenação desse processo, acabei me credenciando e recebi o convite 8 meses depois para me tornar o CEO da KROTON. Então foi um processo que não estava previsto, mas, também foi algo natural e digo que se há uma palavra que marca os pontos de inflexão que foram mudanças na minha carreira, acho que liderança é essa palavra. Lá trás o que me credenciou a ser CEO do IUNI foi ter liderado e coordenado o processo de profissionalização do IUNI, na KROTON, o que me levou a ser CEO, foi ter liderado e coordenado o processo de integração entre KROTON e IUNI,  acho que essa palavra fez toda diferença nos meus saltos de carreira.

  1. Quais são os atributos essenciais de um bom líder?

RG – Cada um vai ter o seu caminho para desenvolver essa competência de liderança, acho que há vários outros atributos que formam um líder, mas uma das características principais é gostar de gente, um líder lidera pessoas, não lidera coisas, então gerir pessoas e desenvolver pessoas é o principal desafio de um líder e no meu caso, acho que a competência mais relevante que precisei desenvolver nessa época foi a capacidade de aprendizagem, aprendi a cada interação. Tem um episódio interessante quando a gente precisava contratar uma consultoria nessa época, quando tinha acabado de assumir a presidência do IUNI, chamava para o processo de seleção 5, 6, às vezes 7 consultorias, porque no processo de negociação da proposta eu aprendia, e o melhor, sem precisar pagar todas as consultorias. Eu só contratava uma e, então, aprendia a cada interação, isso é fundamental. Outra coisa importantíssima, um líder tem que saber se cercar de gente melhor que ele, como por exemplo, um excelente diretor de marketing, já que o mesmo está envolvido em quase todos os processos operacionais e novos projetos da empresa.

  1. Como é possível se destacar profissionalmente dentro de um mercado de trabalho tão competitivo?

RG – Eu acho que tudo começa com uma formação acadêmica sólida, que, algum tempo atrás, tinha a graduação como o ponto de chegada, hoje, é um ponto de partida. Hoje, falamos de uma formação continuada, um profissional que quer crescer, não pode parar de estudar nunca. Então, quando ele concluir a graduação, vai ter que fazer cursos livres, fazer uma pós-graduação, em alguns casos mestrado, dependendo da carreira em que ele optar seguir. Cada vez mais uma educação acadêmica sólida é fundamental para um profissional assumir cargos de gestão ou de alta gestão. Além disso, a formação acadêmica por si só não vai resolver o problema, você não vai ter todas as pessoas com formação acadêmica com espaço para ser líder. Existem competências específicas, como habilidade no relacionamento com pessoas, perfil de liderança que são fundamentais para quem quer chegar a cargos mais altos.

  1. Como ganhar habilidades de mercado antes de entrar nele?

RG – Se a gente pegar as taxas de desempregos de jovens, elas estão o dobro da taxa de crescimento da população adulta. É um desafio grande, é por isso que acho que a formação acadêmica sólida vai fazer toda diferença e segundo, tentar durante o período da faculdade participar do máximo de projetos que te aproximem do mercado de trabalho. Eles permitirão ter alguma experiência em atividades profissionais mesmo antes do final da graduação.

Conheço as empresas Junior’s, já participei de uma indiretamente, enquanto estava na minha graduação em direito. Acho que existem projetos fenomenais de empresas Junior’s, que fazem trabalhos excelentes mas, também existem projetos que agregam pouco, então vai depender muito da qualidade do projeto de empresa Júnior e da qualidade das pessoas que estão conduzindo esse projeto. A sugestão seria avaliar com atenção qual o projeto em si, antes de fazer a adesão, mas conceitualmente acho que faz muito sentido e que é uma experiência bastante interessante para quem está na graduação.

  1. E para finalizar, como é possível cada um descobrir o seu propósito?

RG – Nós passamos por um processo que chamamos de DNA KROTON, passamos nove meses discutindo missão, visão e valores da companhia, um projeto que envolveu 120 gestores e  1700 horas de dedicação. Saímos com a missão, a visão e um conjunto de valores que realmente são vividos por esse grupo.

O primeiro desses valores é a paixão por educar.  Efetivamente quem não tem esse atributo, quem não compartilha desse valor, não pode fazer parte da Kroton. Esse não é um valor meu, é o valor da companhia, é um valor da instituição.

Mas,  acho que cada pessoa vai ter que encontrar o seu caminho para descobrir o que acende aquela chama ali dentro,  o que faz você amar o trabalho, acordar com vontade de ir trabalhar. Acho que vai ser muito pessoal essa escolha, o que se pode fazer, talvez, é ter acesso a muita coisa que permita conviver com diferentes mundos, participar de projetos de envolvimento com as comunidades ou com as empresas locais de áreas diferentes, até perceber o que te tocou.

Eu olho para esse tema de um jeito diferente… e é muito pessoal. Cada um vai sentir quando de verdade essa centelha, ali dentro, acender e falar: esse é meu caminho, é por aqui que eu tenho que ir. E, aí, invista suas fichas porque o que faz as pessoas felizes, o que faz cada um feliz, é  fazer o que gosta.

Certa vez assisti a uma apresentação do Fábio Barbosa e ele colocou um conselho aos jovens: “Não escolha o curso onde você vai ganhar mais, não escolha a profissão onde necessariamente você vai ganhar mais no curto prazo, escolha aquela profissão que você gosta de fazer” e essa  também é minha recomendação , ratifico a posição e as palavras do Fábio e espero que cada um  encontre seu caminho. Seja feliz profissionalmente e consiga uma carreira de sucesso.





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